"UMA CLÍNICA DOS TRÊS REGISTROS" LERNER Eva Na segunda parte da obra de Lacan, a partir do nó borromeano, o Simbólico, perdia sua supremacía, passa a ter a mesma hierarquia que o Real e o Imaginário. O que segue é uma tentativa de formalização, entre outros possíveis, de certas intervensões na clínica desde os três registros do ser, que me tem levado a me perguntar, dados seus efeitos, pelas caraterísticas do tecido no que, desde meu lugar de analista operava. No horizonte das perguntas que está no meu interesse responder e que desenrolarei a continuação é que tentei uma articulação dos tempos da identificação com uma suposição que proponho de três registros para cada registro do ser.
O que chamamos a "estrutura" em cada instante pode se apresentar atravessada três vezes por cada registro ou não. A proposta é que em alguns dos furos que não estão presentes poderiam se levar a cabo na cura e outros não. No seminário 24, L`Insu, Lacan situa os três tempos da identificação, tempos lógicos de inscripção da falta que em seus três registros RSI amarra por vez primeira a estrutura. Instantes de desamarre produzem logo diferentes apresentações subjetivas, e a repetição do mesmo determina as variantes. Estas identificações, que são à relação que institue ao sujeito com a lei da castração, Lacan também as chama Nomes do Pai. A identificação Real ao Outro Real, ou o Nome do Pai no Real, incorporação de um Real inscrito no simbólico do Outro, é dizer em seu discurso, terá feito furo no Real do corpo duas vezes, a primeira vez no tempo da identificação primeira ao vazio fundante, identificação que se haverá inscrito no tempo da identificação segunda de modo tal que assim se produz uma primeira consistência subjetiva: o efeito é simbólico. A identificação Simbólica ao Outro Real ou Nome do Pai no Simbólico, é o tempo em que se o Outro pôde ficar substitutido em seu desejo propícia um tempo segundo de Einziguer Zug ou rasgo unário e haverá de inscrever, a marca distitiva no sujeito do desejo do Outro:o efeito é Imaginário. É a terceira identificação, ao Imaginário do Outro Real ou Nome do Pai no Imaginário que se joga os destinos do primeiro amarre da estrutura. Se a segunda volta no Simbólico e rejeitada embora esteja inscrita seu traço, a apresentação seria da loucura istérica. É segregativo dizer que completado o furo verdadeiro para os dois primeiros tempos, e completado o terceiro, falhidamente por certo, a estrutura não terá as caraterísticas clínicas nem da esquizofrenia, nem da paranóia, pela eficácia da primeira identificação, nem da melancolia psicótica, pela eficácia da segunda, mas haverá que revistar se o furo verdadeiro está produzido para os três registros do Imaginário?. Se situáramos às restantes consequências clínicas nos acidentes na terceira identificação ao Imaginário do Outro Real, se arriva à proposta de situar as diferenças segundo se trate da existência, o furo ou a consistência da cada registro. Segundo esteja o acidente no Real do Imaginário,no Simbólico do Imaginário ou no Imaginário do Imáginario será que operando em esse tecido, se haverá conseguido um efeito que seja Real. Por exemplo, pôde faltar ainda: a segunda volta de furo, no Simbólico do Imaginário e teremos os conhecidos ataques de pânico ou de angústia, ou pôde faltar a segunda volta de furo no Real do Imaginário e teremos as melancolizações ou a clínica dos lutos patológicos a vezes acompanhados de tentativas de suicídio, afecções narcisísticas com compulsões, acting- out e passe ao ato anoréxicos, bulímicos, viciosos etc, signos não metaforizáveis à maneira do sintoma interpretável. É dizer os avatares do registro Imaginário com os outros dois. Como se escreve na estrutura o fracaso de dar conta da relação sexual? Em cada um vem escrito de outro modo, as formas da renegação são tão variadas como falantes há neste mundo, não obstante podemos contruir invariantes pelos que toda cura deveria transitar. É a causa do objeto a no real, que a vida mesma, o corpo e pelo tanto a palavra passam a estar amarrados. Com o qual dizemos que "Não há relação sexual é de fundamento". Proponho que na cura é o único real que seria desejável que se esgote o mais posssível de sua cobertura fantasmática. Nas cicatrizes na vida dos estragos do fantasma, já não são o fantasma em ebulição.que se sostenha a tensão necessária que vida, morte e corpo requerem para a criação é funsão de esta causa.Conferimos que as relações entre dois registros produzem efeitos no restante: em este caso uma intervensão imaginária que noméia os atributos e ideais desdesenhados é uma intervensão no registro imaginário que produz efeitos no real: escreve uma borda e regenera o lugar da causa de desejo, do objeto a no real obturado. Lacan noméia a cada registro com a propriedade específica que lhe asigna a cada um. É dizer: ao Real do Real o chama vida, ao Simbólico do Simbólico o chama morte e ao Imaginário do Imaginário o chama corpo. Lacan o escreve com o simbólico, no próprio de cada registro, por isso diz, "no furo ou no real do furo". Se exercitamos a proposta de articular o Real como existência, o Simbólico como furo e o Imaginário como consistência, é dizer as propriedades de cada registro, mas as três para cada um deles, triplicamos o número, das operações que a estrutura reclama como intervensões por parte do analista em uma análise: corte, ligadura, cruzamento ou sutura e rotação no bom sentido. Estas combinatória que Lacan deixa propostas para pesquisar, poderíamos propôr como nomeá-las, já que Lacan não as noméia para a cura, partindo do suposto que é necessário situar o tecido para poder operar sobre ele. Os descreverei como se estivessem soltos e amontoados. Será função do quarto nó ou sinthome produzir o furo verdadeiro onde falta. A operatória da cura funcionaria como uma agulha que haverá bordado com sua linha a borda por onde à sua vez, de ser eficaz haverá cortado com o fio de seu ato. SIMBÓLICO O REAL do Simbólico: O (fi may£scula), recalque originário, umbigo do sonho O SIMBÓLICO do Simbólico: A morte. Tanto o letal do significante, como a subjetivação da morte. O IMAGINÁRIO do Simbólico: o corpus do simbólico: lalangue
IMAGINÁRIO O REAL do Imaginário: as pulsões O SIMBÓLICO do Imaginário: o rasgo unário ou Einziguer Zug e os atributos tributários do rasgo unário. O corpo. O eu como furo O IMAGINÁRIO do Imaginário: i`(a). REAL O REAL do Real: Não há relação sexual. O SIMBÓLICO do Real: a angústia. O IMAGINÁRIO do Real: O semblante. E os modos de se dizer homem ou se dizer mulher.
Eva Lerner Escola Freudiana de Buenos Aires Av. Córdoba 5594. 3oP. C.P 1414 Telfax: 00541-4-773-4428 E-mail: evaler@infovía.com.ar Capital Federal Buenos Aires ARGENTINA. |