O fantasma, o inconsciente estrutural como uma linguagem e o lugar do analista JOZAMI Adelfa Partindo da idéia de que em Psicoanálise näo se trata de ser original cada vez, se näo , em todo caso, aventurar-se ao voltar a passar pela origem, é dizer, para evitar a solenidade desta afirmaçäo, esse lugar que da origem a algo, a um conceito, a um avance na teoria e na clinica. Neste caso me interessa voltar a passar pela questäo do fantasma. Se trata neste recorrido da insistência de certos conceitos, que por sua repetiçäo promoveräo escritura, letra. Se bem o efeito de perder é inelutável em toda testimunha, recolher algumas questoes que alí se vertem e que ficam em suspenso, é o que me move a trabalhar nesta questäo do fantasma. Entendo que uma repetiçäo, se näo há leitura, por sí mesma, näo produz inscriçäo. A seleçäo dos fragmentos clinicos quando se trata de temas o fantasma é complicado pois falta o efeito "surpresa" próprio da lógica significativa. Alí se trata de um efeito de sentido, que lhe da marco ao fragmento. O que caracteriza ao fantasma, contrariamente, é sua falta de significado, näo promove sentido, seu significado é axiomático. Isto é, é o ponto de partida, à diferenca do acontecimento que é o ponto de partida de uma nova significaçäo, o axioma fantasmático é o ponto de partida do desejo, mas pela estrutura, näo dá lugar ao novo. Tudo isto é para antecipar-lhes que, quando se trabalha no terreno da logica do significante, sempre há lugar na surpresa, na piada, enquanto que isto pode ser chato. Porque agregar: o lugar do analista. Näo há dúvidas que a necessidade de incluir os con ceitos acerca do fantasma surgiram desde o interior mesmo da transferência. No entanto o inconsciente sempre deixa algo, sua analise é interminável. Dirigir a análise até a sua finalizaçäo implica ao fantasma. Sua construçäo é consequente da travessia. Lacan há trabalhado ao lugar do analista através do conceito de transferência, lembramos: em que posiçäo está o analisado quando demanda análise em que lugar esta o analista para responder convenientemente. Partimos de um mal entendido básico entre o que o paciente o demandava ao analista (SSS) e desde onde ele respondia. Este mal entendido básico nos adianta aquele de que "näo há relaçäo sexual". E dizer näo há proporçäo, neste caso, entre o que se demanda e a resposta. Quando comecei a pensar nesta testemunha, constatava diariamente a dificuldade que tinha em escrever, o que näo me ocorre . Ao chegar neste parágrafo, o que proponho é o mal entendido equivalente a : "näo há relaçäo sexual" me encontrei com que,se o fantasma vem a suprir esta falta de relaçäo, também em análise nós chocamos com ele. O desejo do analista implica sua travessia. Quais säo os fantasmas que, apoiados pela teoria analítica näo nos deixam abordar com soltura a clínica do fantasma?. Espero que se aclarem alguns ao final desta apresentaçäo. O analista no lugar do morto de Bridge ,àquele que mostrando as cartas de entrada, deixa que os outros façam seu jogo, seus pensamentos acerca do que se mostra ou näo, nesta mäo ficam fora. O analista no lugar do Outro, do SSS. Do desejo puro, neste seminário da Transferência, como pura shpaltung. Väo apurando o conceito de inconsciente como hiancia no que se desenrola às leis do significante aportando algo de verdade do sujeito em cada formaçäo. Aquí a resistência volta a nos dar um empurräo, se o reprimido retorna, levando a analise por estes caminhos, os da logica significante, o sujeito se reencontrando com parte do saber que o constituí o acesso a algo da verdade, isto é facilitaría um saber fazer, lhe daria a liberdade suficiente como para fazer sua vida mais satisfatória. Mesmo logo de dar algumas voltaS, O analisante acostumava se situar no mesmo lugar. SSS : Sujeito suposto ao saber. Algo respondia a outra lógica. Aquí Lacan incluí um novo lugar para o analista: o do objeto, simultâneamente conceitos acerca do fantasma e o semblante.
O lugar do analista na construçäo do fantasma O analista está sempre no interior da estrutura fazendo possível tanto na construçäo como na travessia do fantasma. A construçäo e a travessia väo juntos, em tanto a primeira implica que a transferência se consegue a lógica significante. Por tanto isto faz possível sua travessia. Nesta análise se constrói esse segundo lugar que encontramos em "pegam uma criança" em onde o sujeito se inclui na cena, quando o sujeito se inclui, passamos a lógica do significante, , que como tal facilita o deslocamento e a metáfora, isto é, o desejo que busca outros modos de apoios, e a possibilidade de novas metáforas do sujeito. Havendo situado a questäo de : para que construir na análise algo que logo devemos atravessar, dizendo que construir implica fazê-lo atravassavel. Podemos passar a uma pergunta que surgiu em algumas testimunhas acerca de : se a realidade do sujeito, sua fantasmática, näo lhe facilita o acesso ao real, do qual derivamos que há falhado sua constituiçao fantasmática. Qual é a posiçäo do analista na direaçäo da cura? Näo se trataria de uma construçäo, tal como vínhamos vendo, o que estritamente se trata de uma construçäo, o "duplo cachinho" Em onde se concreta uma inscriçäo que dá lugar, no ato, a um sujeito A testemunha que há me ajudado a pensar nesta questäo, é o que S. Szhuman apresentou o ano passado. Ali se apresentou a uma paciente, cuja perda da realidade lhe fazia quase impossível sua realçäo com seus pares, o exercício da sua profissäo, era odontologista, em síntese se lhe fazia impossível sua vida. Me interessa mostrar aqui, como fêz Freud, a diferenca entre a perda da realidade para a neurose, que seriäo o fantasma, a realidade como perda, a perda da realidade da psicose, que comporta a falta de claridade. Aqui poderiamos incluir que o fantasma, a montagem gramátical onde se ordena o destino das pulsaçoes, näo é Je. E por onde o Je deve passar para localizar-se como ser frente ao mundo. A pergunta surgía clara, a que se referia o analista, Como que se oferecia?. Näo como semblante se näo como apoio especular, no primeiro tempo é como ideal do eu no segundo momento (Ler fragmentos). Prévio à primeira intervençäo, a analista havia preparado um "terreno" de confiança que fêz eficaz a intervençäo. Se tratava de localizar-se em uma posiçäo na que , näo sancionando o fazer da paciente, atenuava o que poderíamos chamar o Outro gozador, próprio das estruturas onde o simbolismo da castraçäo näo opera, o que opera, o que é o mesmo que dizer que o Outro näo está impedido, ( o ponto de partida do fantasma é o S(A). O efeito de atenuaçäo do Outro gozador, facilita a abstraçäo do campo do Outro de um significante que näo resulte opresor. O näo simbolismo da castraçäo leva que qualquer vislumbre de falta se traduz na catástrofe com risco de desintegraçäo. Aqui o analista se oferece como Outro näo sapiente se näo portador de rasgo ao que pode se identificar. A operaçäo seria a abstraçäo de um significante do corpo do Outro. Simultânemamente o analista se presta como outro, semelhante, propício para a identificaçäo especular, o que haveria podido ocorrer de se manter o lugar do Outro gozador. Näo podemos dizer que o impedimento do Outro se fêz neste ato, possivel, como modificaçäo da sua realidade. O segundo fragmento voltamos a constatar a abstraçäo de um significante do campo do Outro, mas neste caso já era o corpo da linguagem. A identificaçäo era o ideal, matriz das identificaçoes secundárias. A posiçao do analista se dirigia a facilitar-lhe o acesso as identificaçoes que atenuariam o contato com o real. Quando propomos a puberdade como o tempo em que uma criança abandona o lugar em que se apoia no fantasma de seus pais para alojar seu desejo numa fantasmática própria, passa de formar parte da realidade de seus pais a construçäo de sua realidade, näo tem outro modo de fezê-lo que através de suas identificaçoes. Ao ideal, que lhe funcionara como marco, e seus semelhantes. Com esta massa construirá a gramática que apoiará seu pensamento e o destino das pulsaçoes.
Näo-eu da gramática (ele), näo-- eu do inconsciente Enquanto o näo-eu do inconsciente está representado por um vazio onde se produz o jogo lógico de significar, o näo-eu da gramática gira ao redor do objeto onde podemos reconhecer a instância da castraçäo. Devemos reconhecer na clínica, quando um dizer provém de uma formaçäo do inconsciente ou quando o faz da gramática fantasmática? Entanto a gramática do fantasma é um axioma, ponto de partida de um dizer, sempre chegaremos a ele logo de recorrer os caminhos que nos traça o significante. Todos os caminhos conduzem à Roma, neste caso Roma é o fantasma, e os caminhos säo às voltas que damos ao seu redor para que, como disse Lacan o essencial é a maneira de saber do sujeito que pode articular essa cena em significantes, é dizer, verificá-la em todo seu ser e por seu sintoma. Mas aclaremos, näo há o verdadeiro, näo vamos chegar a nenhuma cena verdadeira, já que o único modo de dizer é com uma metáfora, na qual engendra um significado falso. O que poderemos encontrar é a montagem cênica a partir do sujeito,aliviando o horror da falta de objeto, se posiciona ou lê a realidade. Uma paciente relata em uma sessäo, que estava banhando sua pequena filha e surpresivamente se apaga a luz, simultâneamente o marido está realizando um trabalho elétrico por isso lhe havia produzido o curto-circuito, surprendida e assustada pelo repentino corte de luz, a paciente disse : " Alí está o bêbado do teu pai". Diz em voz alta, o marido a escuta e como é de se esperar se produz uma situaçäo muito desagradável. Ela relata que essa frase lhe saiu como com outra voz, nunca haveria querido dizer isso, näo se reconhece ali. O transcurso da análise foi conduzindo a uma cena repetida, em que ela dormia placidamente com sua mäe e surpresivamente se acendiam as luzes e aparecia seu pai, bêbado. A presença repentina do seu pai näo só interferia sua relaçäo com a mäe, se näo que terminava em cenas violentas nas que ela lembra que tinha que mediar. Um dos elementos que conformam a cena fantasmática, é a triangularidade. Isto alude a cena edípica, porque também há na cena um componente sexual. Neste caso, a cena violenta consistia em que o pai queria forçar a mäe a ter relaçoes sexuais frente à vista de seus filhos. Outro elemento é a mirada, que neste caso estava ao lado dela. Em que podia verificar que a gramática desta cena apoiaría o desejo desta paciente? Näo esquecemos que desejo é realidade formam parte da mesma superfície- Ela é bailarina e professora de Educacao física. Enquanto as coisas passavam entre ela e o espelho tudo estava bem. Quando teve um parceiro, incluído seu atual marido, tomava uma irracional celotipia. Com o tempo pode reconhecer seu gozo frente à cena de seu marido com outra, e confessou que só podia gozar sexualmente se imaginava que era outra. Seu gozo estava na olhada. Isto a respeito do estritamente sexual; com respeito ao marido como pai, lhe levou muito tempo näo tomar toda intervençäo do seu marido como uma situaçäo violenta. Cabe mostrar que seu marido era um alcóolatra recuperado, recuperaçäo na qual ela teve muito que ver. O trabalho analítico, como dissemos, recorrendo os caminhos significativos, nos vá levando, e neste o sonho é uma verdadeira via regia - a reproduçäo desta cena, que repetimos, näo tem o caráter de cena traumática ( o verdadeiro do verdadeiro) se näo de montagem. Neste caso, uma situaçäo de cotidianidade, nos acerca pontas para construir está cena. Em outros casos o " acting" nos provém de uma ajuda nesta montagem,quando algo näo pode ser escutado ou seja porque o fantasma do analista lhe faz obstáculo, ou por qualquer outro motivo por ele näo possa "dizer". Aqui também é oportuno situar a questäo dá satisfaçäo ou gozo do fantasma. O gozo está ligado à repetiçäo da cena. Haviamos partido de : näo há relaçäo sexual", onde se fundamenta entäo meu ser como ser sexuado, minha existência como tal se näo em Outro? Esse lugar me faz pensar. Poderia dizer que o chamado ao Outro que provém do inconsciente busca saber. O sujeito na análise dirige seu dizer ao Outro como SSS. Mas o fantasma, em tanto axioma, näo se dirige ao Outro, tem significaçäo de verdade. O trabalho do analista é deduzir os enunciados contidos no axioma. Que implicaria aqui ao analista o lugar do semblante? Näo opor um pensamento ao dizer do analisante, dizer que irá construindo estes enunciados. Diziamos com Lacan que no discurso näo é eu, é o fantasma, entanto montagem gramátical onde se ordena o destino da pulsäo. Por isso näo há modo de que o eu se relacione com o mundo, que fazê-lo passar por esta gramática, onde o EU esta ausente, isto é a realidade. Quando o sujeito como Eu se inclui na análise esta "realidade" verdadeira, perde a efetividade. Ficamos com uma pergunta. A marca da castraçäo, como dizíamos, o ponto de partida do fantasma, é esse um em mais, que permite o fechamento por sua inscriçäo do que de outro modo seria infinito, o sujeito näo está na origem, surge como efeito da articulaçäo significativa. Se um significante na análise faz surgir um sujeito ali onde näo estava, falamos de ato, o sujeito do ato. Isto modifica sua realidade? Isto representaria um novo axioma. Voltamos ao ponto de referente. Há alguma cena verdadeira na origem do fantasma? Se trata de uma construçäo do tipo das lembranças encobertas , uma cena reconhecível se presta ao que näo é reconhecível. Promovendo a montagem do simbólico e o imaginário. O fantasma se produz a raiz da negaçäo da castraçäo, sempre que se entregue ao jogo da repressäo. Se ao contrário conclui da marca da castraçäo , näo fizesse falta (estruturalmente falando) a construçäo do fantasma, já que haveria universo do discurso, o sujeito se as regras com a linguagem para se relacionar com o mundo de um modo onipotente, como é o caso de Silvia. Onde o menor indício de falta era uma catástrofe. Se pelo contrário,se entrega aos efeitos da repressäo, verá surgir em seu discurso, significativos que näo säo eu, portadores entäo da verdade de que näo há saber sobre o sexo. Aqui é onde o analista trabalha especialmente, em tanto à lógica do significante é a que permite profundizar o conceito da realidade que habita cada sujeito. Como diz Lacan, o significante engendra o que näo está alí, isto é o sujeito. Esta é a falta primordial. Relatarei um fragmento de outra analise. Se trata de uma jovem que revela nas primeira entrevistas que vem porque quer saber que é ser mulher. Havia consultado previamente a um analista homem que havia dado uma conversa sobre o desejo da histérica. "Mas resultou näo saber nada". Sua angustia fundamentalmente se referia ao ciúmes que sentia pelo seu namorado, e a sua desesperaçäo quando tinha que esperá-lo. A diferença do analisante anterior que se desestabilizava facilmente, esta jovem se apoiava na sua identificaçäo a um homenzinho, lugar que ocupava muito eficazmente no que se refere a sua atitude no trabalho. Simultâneamente sofria por ser frígida, se bem no que dizia permanente aparecia seu namorado como sendo suficientemente carinhoso, ou romântico, ou .... Tal vez o Outro teria o que ela lhe faltava para ser mulher e gozar da sexualidade. A questäo aqui era que ela, ser mulher näo entrava como falo em troca de um saber. Se bem na análise foram caindo algumas de suas identificaçoes fálicas, a relaçäo com o namorado conlui quando este finalmente, logo de um tempo em que buscou satisfazê-la, se foi com uma mulher. No campo do trabalho, que que tinha uma empresa juntos, ele lhe transfere seu saber acerca do trabalho, isto näo foi sem conflitos, o que ela continua eficazmente. Isto, temporariamente, volta a consolidar sua posiçäo fálica. Seu atrincheramento nesta posiçäo, segundo derivou da análise, se vinculava com sua relaçäo com o pai. Era a segunda filha mulher e seu pai esperava ferventemente um filho homem, jogava com ela com jogos de meninos, enquanto sua mäe passeava com sua irmä mais velha. Com respeito ao lugar da mulher - mäe, com o que se houvera propiciado a equaçäo: menino = falo, o pai havia estado apaixonado da sua madrinha, mulher solteira e profissional. Estes resultavam alguns de seus pontos identificativos que o apoiariam nesta posiçäo. Apesar disto, näo deixava de esperar um parceiro com que sonharia ter desejo de ter um filho. O Outro tem a clave, a espera da mäe de quem se entrega a sua irmä. A espera da mulher que escolheu o namorado. A espera em algumas ocasioes das bruxas, a espera de seu analista, mas quando se väo acercando, como o fêz, em uma nova relaçäo de desejo de viver junto com seu parceiro e ter um filho, retrocedeu argumentando que ele näo ía ter recursos suficientes para apoiar esse projeto. Que ía ter que apoiá-lo. Logo de cada fracasso em suas novas relaçoes, volta a surgir sua fantasia com o primeiro namorado. Que espero dele ainda? Se pergunta. E com o único que tinha confiança para ter um filho. Näo há saída para o neurótico, ou responde desde o fantasma ou desfalece. Até aqui vimos funcionar uma estrutura histérica, um fantasma histérico em relaçäo ao desejo. Seu manto fálico era tal, suas identificaçoes o proporcionavam tal consistência fálica, que se fazia muito dificil na análise, atravessar este brilho para nos acercar aos enunciados de seu fantasma. Quando à analista consegue passar da posiçäo de saber, que o alimentava, até poder esperar (cabe lembrar que um dos padecimentos era a ansiedade frente à espera), pede uma sessäo extra a raíz de um sonho que teve. O texto do sonho o envia por fax, antecipando-lhe a sua imagem, para que seu analista pudera ler. Começa o escrito com um relato de um encontro que havia tido com quem ela chama o cavalheiro virtual, pois se contatou por Internet. O cavalheiro carecia das qualidades que interessava. "Bem porque te conto isto????, tive um sonho que me deixou perplexa. Saía da minha sessäo de análise, me despedia até a próxima, mas esse dia me chamavas para me dizer que tinha que passar pelo consultório no horário em que terminavas de atender, eu ía , te via muito cansada e demacrada, falavas como se estivesses bêbada, ou drogada, tinha um copo na mäo e estavas vestida com um salto de cama, me dizia que neste tempo havia já trabalhado muitas coisas, que já estavam quase todas resolvidas, que näo ficavam mais coisas para seguir analisando. Eu te respondia que era verdade mas que ainda näo havia conseguido resolver era meu tema com J ( sua relaçäo mais importante) que eu seguia estando pegada com ele, é que assim te aproximavas e me fazia beber quase à fuerza todo o conteúdo do copo, nesse fazer-me beber eu perdia o equilibrio e me caia, ficava tirada no chäo e você se tirava encima de mim e me dizia, assim queria ver-te, eu horrorizada te dizia o que está acontecendo? E você me dizia deixa, deixa, abri-te, enquanto me agarravas às pernas, óbvio me acordei em forma imediata. O que pensei em todo momento enquanto os email iam e vinham com G, é que o único que lhe interessava este homem era transar e às vezes me iravam as coisas ternas ou gratas que podiam dizer, porque só podia interpretá-lo: diz isto para transar. No meio destes pensamentos e este modo particular de decodificar o que o outro diz, minha irmä diz: você é muito desconfiada, näo se pode viver sempre pensando que os outros te querem prejudicar se näo deixas viver um montäo de belos momentos, crash, algo disso me ressoa.. Mas agora näo consigo entender muito o que significa este sonho, mais além da minha associaçäo que creio é bastante clara, que estou tratando de dizer?????????" A partir das associaçoes do sonho, relata uma lembrança quando era pequena e visitava a uma vizinha, que era maior que ela, esta vizinha lhe dava de tomar álcool puro. Também saiam para a rua buscar baganas para fumá-las. Lembrava que a mäe dessa pequena estava doente e o pai näo estava. O que vai surgindo é sua posiçäo como menina violentada. Isto se relacionava com o desamparo que sentia quando a sua mäe näo estava, uma das coisas que fazia era ir a casa da vizinha, mas nada do que ali ocorria podia contar-se a sua mäe. Se ligavam neste momento lembranças que haviam ido ficando marcados na sua análise, episódios soltos que em um instante tomam um lugar como que a mäe corria pela casa com um chinelo, lhe arrancava o cabo do telefone para que näo falasse, e outras coisas de similar violência, em onde estava ausente dessas cenas. Na sessäo seguinte traz outro sonho. Vai ao seu analista, mas neste caso é a madrinha que lhe diz que espere. Associa com que a madrinha ficou esperando o pai que näo chegou. E o componente de espera do que goza. Quando se incluem com seu gozo, se incluem como eu ; estar excluido näo é que näo está na cena, pode estar-lo mas sim reconhece seu gozo. Minha intensäo, que näo é dar conta deste análise, e apresentar alguns dos caminhos que, transferência medinte, nos permitam aceder a fantasmática de um analisante. Aqui voltamos a pergunta: O sujeito que surge do ato, identificado a um significante e representando ao objeto, implica um novo axioma? O que me leva a pregunta que se faz Lacan en L'Insu. A que se identifica o sujeito ao fim da análise? Intentarei alguma volta em torno disto. O fantasma tem sigificado de verdade, é dizer que funciona como verdade axiomática para o sujeito, ele parte de ali. O analista como semblante de a , institui o lugar onde a interpretaçäo como verdade venha a escrever-se. A chave está em situar a verdade como lugar. Lugar que abriga a falta de saber próxima da diferença dos sexos. Se a verdade é a cena, temos a teoria do trauma. Este é um dos fantasmas da psicoanalise. A verdade é um lugar que chega a montar-se uma cena, do que o sujeito está excluido e com a que apoia seu desejo e organiza seu pensamento. O processo de esvaziado da significaçäo da verdade na análise nos leva a outra relaçäo com a verdade. Se pode esperar, entanto fala e näo necessita dizer o verdadeiro do verdadeiro. Que se possa esperar leva ao sujeito a näo precisar velar o näo-penso com um, diz Lacan: "pensa coisas". O vazio que dá lugar à verdade, pode ser ocupado com este pensa coisas ou com as paixoes do ser. O modo de fazer com este vazio, este saber haz que deixara a verdade falar, promovendo novos dizeres. Que identificacao implica? Outra questäo: A lógica da diada entre um e Outro e do fantasma, isto produz um objeto "a" como causa em tanto oferece uma proporçäo onde näo há. O gozo aqui, está prisioneiro do lugar do objeto em fantasma. Que ocorre com o gozo ao final da análise. A sublimaçäo, que implica à produçäo de um "a", e portanto satisfaçäo = gozo? Está fora do fantasma?
ADELFA JOZAMI Maio de 2000 |